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CARTA BIOÉTICA DE PORTO ALEGRE

                  A Associação Pró-Diversitas Brasil – Programa de Defesa Pan-Americana e Desenvolvimento da Diversidade Biológica, Cultural e Social e os participantes do SeminárioBioética para um Mundo Melhor, realizado como atividade autosugestionária do Fórum Social Temático 2012, no auditório do Senac/RS, localizado na Rua Cel. Genuíno 130, Centro, Porto Alegre, resolvidos no sentido de buscar alternativas para um mundo melhor, apresentando os conceitos e princípios básicos da Bioética, bem como alguns aspectos de interdisciplinariedade com o Direito, a Psicanálise, a Medicina, a Ecologia e ciências afins, no intuito da análise de uma nova abordagem para um diálogo, que se faz presente e necessário, entre sociedade, ciência e filosofia, com o escopo de que a preservação da vida, do meio ambiente e do planeta, seja reinventada de forma ética, justa e sustentável.

                  A fragilidade do homem diante do progresso que ele mesmo criou e das consequências  dele advindas, deve ser analisada sob os mais diversos setores do conhecimento.

                 Impõe-se a necessidade de estudos e ações no sentido de encontrar caminhos que possibilitem um viver e conviver, um produzir e utilizar, um  usar e aproveitar de forma sustentál, em todos os aspectos sócios ambientais, respeitando e preservando todas as diversidades.

                Nesse intuito, oferecemos sugestões, levando em consideração  os  quatro princípios bioéticos, quais sejam o da beneficência, não maleficência, da equidade e justiça, para atingir esta finalidade:

                   1 – A sustentabilidade como novo paradigma da modernidade, a fim de garantir de fato o ambiente para as presentes e futuras gerações

                   2 – Seja revisto o custo ambiental, contabilizando o quanto de natureza, de recursos naturais se tem utilizado e procurar zerar o passivo ambiental por meio de medidas que busquem o equilíbrio entre os recursos existentes, sua capacidade ou não de renovação e uso necessário, revisando-se os desequilíbrios internacionais na utilização dos recursos.

                   3 – A auditoria da dívida externa dos países latino-americanos, levando em consideração a revisão e abatimento do passivo ambiental.

               4 – Em vista da preservação e da sustentabilidade do bioma pampa, reivindica-se a limitação da quantidade de gado bovino e ovino, em número  de cabeças por hectare, menor do que a hoje praticada e abaixo dos índices de produtividade do INCRA por se considerar prática insustentável, devendo ser feito estudos específicos para determinação dessa quantificação, assim como a participação de Argentina e Uruguai nesse debate por conta de que o bioma pampa não reconhece fronteiras e questões ambientais transfronteiriças devem ser equacionadas por meio de tratado dentro do âmbito do mercosul.

                   5 – A remuneração por serviços ambientais, via redução de alíquota de impostos, aos proprietários rurais que adotarem  práticas sustentáveis de manejo do gado, queimadas, plantações, preservação de mata e campo nativos.

                   6 – Criação de uma zona franca comercial e industrial na zona de fronteira do Estado do Rio Grande do Sul, com o Uruguai e a Argentina, compreendendo a região da Campanha e do Litoral Sul,  aos moldes   da Zona Franca de Manaus, inclusive quanto aos prazos de incentivo. 

                  7 – A fim de garantir a autonomia e o direito de informação do consumidor, seja levada ao Congresso Nacional sugestão de projeto de lei para adequação de rotulagem, informando a presença de temperos, condimentos e especiarias em alimentos, industrializados em massa ou de fabricação e comercialização  em bares, restaurantes, padarias, supermercados e similares, incluído os produtos oriundos da agroindústria familiar, e de que aqueles ingredientes causam alergia.    

                   8 – O respeito a diversidade sexual, de gênero, e cultural.

                   9 – A inserção dos transexuais no meio social por meio de políticas de esclarecimento, e respeito aos direitos dos mesmos enquanto seres humanos, permitindo a retratação sexual, inclusive com a troca do nome e do sexo junto ao assentamento civil na forma como prevista no Estatuto da Diversidade Sexual apresentado ao Congresso Nacional.

                   10 – Aprofundar o estudo da educação sob o ponto de vista bioético e ambiental em diversos seguimentos da educação e formação, desde o ensino fundamental, passando pelo ensino médio e chegando nas graduações de nível superior.

                   11 – Rever as formas de comunicação da bioética com o mundo, em vista de parâmetros como emoção, autenticidade, personalidade, comunicação e estratégia.

                   12 – Obrigatoriedade das empresas de informar a quantidade de água utilizada na confecção dos produtos.

                   13 - Pugnar pela criação de um tratado internacional latino-americano acerca da ecologia, biodiversidade, e utilização sustentável dos recursos naturais.

 

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Última modificación: sábado, 28 de enero de 2012